Existe um vazio no coração humano que nenhuma filosofia, riqueza ou relacionamento pode preencher. É um espaço reservado apenas para o divino. E para nós, cristãos, esse divino tem um nome, um rosto e uma história: Jesus Cristo.
No entanto, muitas vezes, Ele se torna apenas uma figura histórica distante ou um nome que repetimos em orações. O medo de muitos, e a dor que eu vejo nos crentes, é viver uma vida cristã sobre Jesus, mas não com Jesus. Sem um entendimento profundo e correto de quem Ele é, nossa fé é frágil, nossa adoração é superficial e nossa salvação é incerta.
A Cristologia (o estudo sobre Cristo) não é uma doutrina secundária; é o centro do universo, o eixo da história e a chave para a vida eterna. Como Teólogo, afirmo: A forma como você vê Jesus define o seu destino e a sua caminhada.
Neste estudo robusto, vamos mergulhar na profundidade do Deus-Homem. Este é um guia para que você saia da religião do “Jesus profeta” e entre no relacionamento com o “Jesus Senhor”. Prepare-se para ser confrontado pela verdade e transformado pela glória do nosso Salvador.
A Bíblia apresenta Jesus como o maior paradoxo da história: Ele é o Leão e o Cordeiro; a Rocha e a Água Viva; o Mestre e o Servo. Entender a Pessoa de Cristo é entender a união de duas naturezas em uma única Pessoa.
Após séculos de debates teológicos, o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) estabeleceu a doutrina ortodoxa. O Filho de Deus é:
Ilustração Prática:
Imagine a água gelada. Ela é H₂O, mas está no estado sólido (gelo). A água quente também é H₂O, mas está no estado líquido. Jesus é como a água no estado líquido (Humanidade) e a água no estado gasoso (Divindade) existindo perfeitamente na mesma substância (Pessoa). Ele pode sentir sede (Humanidade) e criar um poço (Divindade) no mesmo momento.
Aplicação Bíblica:
Se você retira a Divindade de Cristo, você não tem Salvador; se retira a Humanidade, você não tem Mediador (1 Timóteo 2:5).
Pergunta para você:
Você tem permitido que o Jesus da sua imaginação (humilde, amigo, profeta) ofusque o Jesus Bíblico (o Juiz e o Todo-Poderoso)?
A heresia mais perigosa é aquela que nega a Divindade de Jesus. Se Ele não for plenamente Deus, Sua morte não tem poder infinito para pagar por nossos pecados.
As Escrituras comprovam a Divindade de Cristo através de quatro categorias irrefutáveis:
Fundamente Sua Fé na Rocha!
Sua fé não pode balançar na dúvida sobre quem é Jesus. É crucial ter uma teologia sólida sobre a Segunda Pessoa da Trindade para se defender de heresias modernas.
Se a Divindade nos garante o poder da salvação, a Humanidade de Cristo nos garante a possibilidade da salvação e a identificação com Ele.
Em Filipenses 2:7, lemos que Cristo “esvaziou-se a si mesmo”. Isto não significa que Ele se desfez dos Seus atributos divinos (como a Onipresença), mas que Ele não usou esses atributos de forma independente e os submeteu à Sua vontade humana e ao Seu papel de Servo.
Jesus foi tentado em tudo, mas sem pecado. Por que isso é vital?
Ilustração Prática:
Jesus, o perfeito homem, é como a “Ponte” que liga Deus e o Homem. A ponte precisa estar firmemente ancorada em ambas as margens. Sua Humanidade O ancorou em nossa margem de sofrimento e tentação; Sua Divindade O ancorou na margem da Santidade e Poder de Deus.
Pergunta para você:
Quando você passa por uma tentação ou dor, você se lembra que Jesus entende perfeitamente o que você está sentindo?
A Cristologia se divide em dois grandes momentos na vida do Messias.
Este estado começou na encarnação (tomar a forma de servo) e terminou no sepulcro.
Este estado começou com a vitória e continua até hoje.
Aplicação da Exaltação:
Porque Ele está assentado, nós não estamos mais sob o domínio do pecado. Ele governa todas as coisas. Se Jesus está no trono, quem somos nós para vivermos preocupados com o futuro ou escravizados pelo passado?
O Poder Transformador da Cruz
O coração da Cristologia é a Cruz e o Túmulo Vazio. Você precisa de uma compreensão profunda da Expiação para viver a liberdade do perdão.
A obra de Cristo é entendida classicamente através de Suas três funções, que eram preenchidas por figuras distintas no Antigo Testamento, mas que se uniram perfeitamente n’Ele.
Aplicação Prática da Vida:
Quando você ora, você se aproxima d’Ele como Profeta (para ouvir a Palavra), Sacerdote (para pedir perdão e intercessão) e Rei (para submeter sua vontade e pedir proteção).
Pergunta para você:
Você tem submetido todas as áreas da sua vida – finanças, carreira, tempo – ao reinado de Cristo (Função de Rei)?
Por que gastamos 3000 palavras em teologia? Porque a doutrina correta de Jesus é a base de tudo:
Sua vida cristã deve ser uma resposta contínua e apaixonada à pergunta: “Quem é Jesus para mim?”.
O desafio, meu amigo, é deixar que esse estudo não seja apenas intelectual, mas devocional. Que o Jesus que você lê na Bíblia seja o Jesus que você adora no seu quarto e serve no seu dia a dia.
A Fonte de Todo Conhecimento
Quando Jesus perguntou aos Seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”, Ele estava preparando a pergunta definitiva: “Mas vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mateus 16:13-15).
A sua resposta a essa pergunta é o que sela seu destino. Pedro respondeu com a confissão correta: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Essa confissão não foi um mero conhecimento; foi uma revelação (v. 17).
Minha oração é que este estudo de Cristologia tenha sido mais do que um artigo longo. Que tenha sido um encontro pessoal e renovador com Aquele que está no centro de toda a eternidade.
Que você não apenas conheça sobre Jesus, mas que você submeta sua vida ao Rei que se tornou Servo para que o servo se tornasse Filho.
PACKER, J. I. Conhecendo a Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2014.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
STOTT, John. A Cruz de Cristo. São Paulo: Vida, 1991.
ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015.
MACARTHUR, John. O Cristo em quem Confiamos. São Paulo: Fiel, 2015.
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